A sensação de alívio deu lugar ao
vazio. Não existo sozinha há muito tempo, demasiado. Esqueci-me do que era ser
sozinha. O que eu não sabia é que não sei não o ter, e que não o ter me seria
tão estranho. E estranho é voltar para uma casa desprovida de sentimento, entro
e só estou eu. Não há abraço, não há beijos, não há “como foi o teu dia”, ou o
“jantar está quase”. Há vazio e silêncio, e coisas que não são minhas
espalhadas por todos os cantos. Coisas que me lembram que aquela casa foi
pensada a dois, e para dois e depois três.
E sei porque sei, porque 2+2 é 4,
que há uma probabilidade infinita de não voltar a ser amada daquele jeito
desajeitado. Não sei se caberá em mim novamente amor tão grande no peito,
também. E não, não é coisa de pessoa que se largou há pouco tempo. Mas de
alguém descrente. Não nos outros, mas em mim.
Obrigada por todas as palavras de carinho que foram aqui deixadas


